Mestiço, uma identidade étnico-racial  válida ?

Pesquisa, traduções, organização
e comentários.

 por Juarez C. da Silva Jr. -  2006

 

Resumo

O presente artigo visa questionar a validade da utilização do termo ou conceito de Mestiço enquanto identidade étnico-racial e da ideologia do "Brasil Mestiço" difundida nas idéias geradoras do mito da democracia racial brasileira, o mesmo é baseado no entendimento de diversos teóricos contemporâneos, nos delimitadores estipulados nos superados conceitos teóricos racialistas definidos entre o Séc.  XVII e XX  que instituiram a falsa idéia de diferentes raças biológicas entre humanos, bem como as regras de enquadramento racial dos indivíduos miscigenados (portanto a atual construção social  de RAÇA sociológicamente aceita nos processos acadêmicos e políticos de discussão), nos delimitadores do conceito de ETNIA, em elementos históricos da composição sócio-racial brasileira e pertinência dos alinhamentos políticos em torno de classe/raça e  também no posicionamento dado do ponto de vista da moderna GENÉTICA DE POPULAÇÕES que estabelece os parâmetros científicos para a definição do Grupo de Pertencimento Ancestral (ou grupo  de Ancestralidade Geográfica) que substituiu o conceito de "raça biológica" dos indivíduos, além da visão e compreensão da questão pelo IBGE, responsável pelo padrão de identidades étnico-racias para auto-classificação dos brasileiros.

 

 

mestiço  
adjectivo
1.  que descende de progenitores de raças, etnias, variedades ou subespécies diferentes;
2.  formado de elementos diferentes; híbrido;  
substantivo masculino
    descendente de progenitores de raças, etnias, variedades ou subespécies diferentes;
(Do lat. tard. mixticìu-, de mixtu-, «misturado»)
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A discussão deste tema no ínicio do séc. XXI quando científicamente já se sabe que não existem diferentes raças entre humanos, situação contestada há décadas por vários cientistas e constatação definitivamente estabelecida  pelo projeto GENOMA em 1998 , mas sim uma raça única com características apenas "visuais" diversas  derivadas da adaptação ao meio ambiente em que as diversas populações continentais se instalaram em distantes tempos, deveria ser desnecessária, bastando a simples inferência : "Se não existem de fato diversas raças humanas, logicamente não pode existir 'mistura' do que não existe, logo, 'mestiços humanos' do ponto de vista biológico são uma falácia" .

O uso do termos "Raça/Racial", hoje é somente compreensível em um contexto de discussão de  construção social x desigualdade, construção esta resultante das superadas idéias racialistas e da grande desinformação (inclusive nos círculos mais privilegiados social e culturalmente) e de absurdas ações, posicionamentos equivocados e até reivindicações de novas pseudo-identidades étnico-raciais, que se tem posto, sendo assim, a seguinte exposição se faz necessária e muito necessária.

O Brasil  é sem dúvida um país  onde a  miscigenação foi e é grande ,  ao contrário de outros países onde  o  contingente de indivíduos fruto de misturas étnicas e "raciais" é relativamente pequeno,  qual seria então o motivo desta característica  brasileira ?

Os adeptos do discurso da democracia racial brasileira,  do qual  são os principais teóricos Gilberto Freyre  e Darcy Ribeiro, diriam que as características afáveis do colonizadores e a permeabilidade cultural fizeram do Brasil um “paraiso racial” onde todos tem um pouco  dos três grupos basilares da formação do povo brasileiro :  o índio, o branco e o negro, diriam ainda que aqui não há uma real preocupação com a questão raça, sendo todos da “raça brasileira”, uma "identidade multi-étnica"  e  completariam dizendo que o Brasil é um país "Mestiço"(o que em se considerando mestiço como raça ou etnia seria o equivalente a dizer que o Brasil é um país exclusivamente índigena ou branco ou negro ou oriental,  o  que seria totalmente incorreto,  já que efetivamente existem todas estas populações o que torna o país Multi-racial não "Mestiço", quando muito  se poderia dizer bem miscigenado)   .

Acontece porém,  que a história real da nossa tão propalada “miscigenação” tem origem no perverso processo de colonização e escravidão, onde indias e escravas negras foram alvo de estupro e exploração por séculos...  (ver Heterosexuais, heteroraciais, heteroculturais: as colonizações das mulheres negras   - http://www.unb.br/ih/fil/hilanb/papers/heteroraciais.doc ) e mesmo depois  da abolição tal  exploração continuou em função das relações de desigualdade que se instalaram e permanecem, seguida de uma maquiavélica política oficial  de "branqueamento" que inseriu no país em 30 anos  quantidade de europeus igual a de negros trazidos ao longo de  mais de 300 anos de tráfico escravo e do "embranquecimento"  que consiste na desvalorização dos valores civilizatórios e estéticos Africanos , (ver Brasil vive ilusão da democracia racial (Cristiane Capuchinho-USP)    http://noticias.usp.br/canalacontece/artigo.php?id=3066 ) .

MUITO IMPORTANTE é  também a seguinte  matéria O genoma enfim desvendado (http://www.valoreconomico.com.br/valoreconomico/285/euefimdesemana/cultura/O+genoma+desvendado,genoma,,47,2669503.html) que comprova a real face histórica da miscigenação brasileira e a situação atual, acrescentou-se a esta miscigenação forçada,  posteriormente as miscigenações naturais de um país com grande diversidade étnico-racial.  

Contestando a obra de Gilberto Freyre  que impulsionou o  "mito da democracia racial brasileira" bem como  sua apologia à miscigenação, muitas vozes e posicionamentos tem se levantado (inclusive oficiais como o  Parecer Orientativo nº 131/2005 - CEE/MS  em: http://www.ms.gov.br/NR/rdonlyres/ec564fpgpjqtqztq4pbhvuknxjqbvh5xbnflpfkex7xkyrc2heic7rkl2hta6s7p63qxxriff6a6ml/Parecer1312005.doc )  do qual  foi destacado o texto a seguir :

 

Os adeptos do mito da democracia racial brasileira, advogam baseados na obra de Paulo Freyre e outros autores, a existência de uma pretensa "RAÇA BRASILEIRA" formada a partir das sucessivas miscigenações, alegando inclusive que é difícil definir quem é negro no Brasil em função disto, na realidade uma estratégia para dificultar as ações Afirmativas com recorte "racial" e manter o Status Quo.

Tal situacão  já foi também percebida e comentada pelo conceituado Professor Kabengele Munanga, Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo e autor de várias obras ligadas à temática étnico racial brasileira entre elas "Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra", onde nos apresenta o seguinte  :

Para os que defendem tal idéia esdrúxula de "raça brasileira" a melhor resposta vem  do médico-geneticista Sérgio Danilo Junho Pena  que coordenou um estudo na Universidade Federal de Minas Gerais para definir o DNA do brasileiro e categoricamente  afirma,  "a raça brasileira não existe, como, de resto, nenhuma outra raça",   acesse o laboratório de diversidade humana no site do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG em   http://www.icb.ufmg.br/%7Elbem/humandiver/index.html  .

Como sugestão recomenda-se a leitura do excelente artigo : A Ideologia da Democracia Racial no Limiar do Anti-Racismo Universalista- Jacques d’Adesky  ( http://www.eco.ufrj.br/semiosfera/conteudo_nt_06Dadesky.htm).

Por mais que se negue o Brasil é um país racista, onde a origem africana ou indígena  prejudica o indivíduo e a coletividade, a sociedade é eurocêntrica e  em tudo desencoraja  valores outros que não os determinados pela elite branca desde a invenção do Brasil, os chamados valores EUROCÊNTRICOS (ver  o excelente texto Diversidade Humana de autoria de Cibele Verani  da FIOCRUZ em: http://www.ghente.org/ciencia/diversidade/index.htm  ) , neste contexto é natural que muitos indivíduos tentem negar ou amenizar seus vínculos com os grupos tradicionalmente excluidos e marginalizados, o racismo no Brasil  é  de marca  (atinge na proporção direta do fenótipo do indivíduo ou seja quanto mais se parece índio ou preto  mais se é discriminado)  é quando surge para muitos, a  “salvadora  e intermediária solução mestiça” , impedidos por motivos  óbvios de assumirem a "desejada" identidade branca ,  tentam então se posicionar numa situação “mais cômoda” que seria a suposta identidade mestiça .

E antes que o leitor pense que este artigo advoga contra a miscigenação natural ou  insinue qualquer manifestação racista ou supremacista contra os indivíduos miscigenados, é necessário  esclarecer que não se trata disso,  até porque  seria moralmente condenável e principalmente criminoso , o indivíduo  miscigenado ( que nasceu de uniões hetero-raciais ou inter-raciais , inter-étnicas) que enquanto ser humano goza de todos os direitos humanos e enquanto brasileiro goza de todos os direitos  previstos na Constituição , merece respeito assim como qualquer pessoa.

Este artigo é contra a chamada IDEOLOGIA MESTIÇA,  aquela que ao invés de integracionista é na realidade divisionista, aquela que se investe do equivocado arcabouço racialista e tenta distorcer tanto os conceitos  equivocados quanto os corretos  na tentativa de manipular e confundir...,  e assim se colocar como "diferente"  dos grupos históricamente discriminados (tentando criar e se posicionar em uma "casta intermediária" e supremacista travestida de "racialmente democrática" ) em uma atitude meta-racista agindo como  modernos capitães-do-mato ( http://www.movimentoafro.amazonida.com/capitao-do-mato.htm ) , é contra a ideologia que prega o fim do racismo simplesmente acabando com as "raças" via miscigenação..., substituindo todas por um bloco homogêneo chamado mestiço, teoria cujo objetivo final só difere dos mais delirantes planos nazistas de "raça única", pelo método de "extermínio" escolhido; ao invés de focar o fim do racismo através do simples respeito à diversidade humana em todas as suas cores e culturas,  indo portanto equivocadamente na contra-mão dos esforços para desconstruir a nefasta CONSTRUÇÃO SOCIAL provocada pelas teorias racialistas, hoje sabidamente equivocadas, mas que devem ser conhecidas e utilizadas como referência no processo gradual de desconstrução e principalmente de reparação às populações vítimas de tal construção, bem como para   o necessário ajuste social. Hoje não há razão em se postular uma nova  pseudo-identidade racial quando é sabido não haver diversas raças humanas  apenas uma construção social  já tradicional  a ser desmontada.

O indivíduo que chama para sí tal  “identidade intermediária” e  utilizando específicamente esta nomenclatura MESTIÇA, está na realidade querendo lembrar à sociedade (e ao seu ego contaminado pela super-valorização eurocêntrica) que é  “meio-branco”, nunca  “meio-negro” ou “meio-índio”, numa atitude claramente meta-racista digna dos antigos capitães-do-mato que renegavam suas raizes desprivilegiadas e se colocavam a serviço da elite supremacista, colaborando com a opressão à seus proprios irmãos de origem . Pessoalmente defendo a utilização do termo miscigenado ao invés de "mestiço" dado o exposto e todo o processo histórico cultural por trás de sua utilização.

Tal estratégia do "dividir para conquistar" foi muito bem utilizada pelos  extintos regimes  coloniais em África, incluindo os Portugueses com seus "mistos"  e  em especial no regime do Apartheid Sul-Africano onde os ditos COLOUREDS ( mestiços)  apesar de  também não privarem da totalidade das benesses da  então minoria branca dominante,  por algumas vantagens sociais funcionavam como “barreira de segurança” entre as minorias opressoras e a maioria  negra oprimida, se tornando  “força auxiliar” de opressão, tais exemplos bem como outros, onde se revela a perfídia de tais regimes opressores, não servem de referência positiva para qualquer sociedade que busca a igualdade e justiça social, agora os "mestiços ideológicos brasileiros"  buscam repetir  no país uma nova "estratificação" sócio-racial oficializada diferente da já existente, o que seria vergonhoso em um país que ainda deve tanto a dois dos seus três povos basilares .

No caso específico dos Afro-brasileiros miscigenados (e com evidências fenótipicas dessa  miscigenação ) popularmente chamados de mulatos e oficialmente de pardos,  até pela  questão semântica de origem negativa tentam fugir do termo tradicionalmente utilizado no Brasil e países de colonização espanhola  para designar sua condição de “não-membros” da “casta” tradicionalmente dominante .

Segundo o Diccionario de la Lengua Española da Real Academia Española  em sua vigésima segunda edicão :

mulo.(Del lat. mulus).  

1. m. Hijo de caballo y burra o de asno y yegua, casi siempre estéril.

2. m. coloq. Persona fuerte y vigorosa.~ castellano.

1. m. El que nace de garañón y yegua.ser alguien un ~ de carga.

1. fr. coloq. Ser el encargado de los trabajos pesados.

 

mulato, ta.(De mulo, en el sentido de híbrido, aplicado primero a cualquier mestizo).

1. adj. Dicho de una persona: Que ha nacido de negra y blanco, o al contrario. U. t. c. s.

2. adj. De color moreno.

3. adj. Que es moreno en su línea. 4. m. y f. ant. muleto.

Onde fica obvio que a palavra mulato, vem realmente do espanhol mulo conforme mostra o dicionário, um animal híbrido filho de um cavalo e um burro ou de um asno e uma égua, pelo sentido de híbridismo deu origem à palavra  mulato que significa: filho de pai branco e mãe negra ou vice versa. O verbete traz logo no inicio uma pequena nota explicativa mostrando que esta palavra, mulato, é sempre aplicada a um "mestiço".

Nas colônias espanholas e no Brasil colônia era o tratamento que as senhoras de engenho davam para os filhos ilegítimos dos senhores que faziam das escravas suas peças para sexo!, na realidade um insulto que foi incorporado na vida cotidiana de tal forma que é aceito por um bom grupo de pessoas como um mero adjetivo . O que também deixa claro que o miscigenado tal qual o "preto retinto"  fazia parte da mesma "massa de negros iguais", passíveis de toda sorte de exploração e agruras, como demonstrado no seguinte texto :

O movimento negro brasileiro utilizando como  base os mesmos conceitos que sempre foram utilizados para discriminar (assim como o antídoto para picada de cobra deve ser feito do veneno da mesma),  pelos quais o individuo que tem ascendência negra até 4ª geração (bisavós) é também negro...,  e baseado no fato de que na realidade os ditos "mulatos" são na prática e históricamente  integrantes do mesmo grupo discriminado, sugere que os mesmos se conscientizem e assumam junto com os outros afrodescendentes de fenótipo africano clássico (pretos) uma identidade racial comum,  a de negro (tendo como sinônimos: afro-brasileiro ou afro-descendente),  tal conceito é inclusive aceito e utilizado pelo IBGE, pelas politicas públicas e referendado pela Antropologia e Genética de Populações.

Tal conceito é também legalmente reforçado no  PROJETO DE LEI Nº 6264/05  (Substitutivo ao projeto original de autoria do então Deputado e atual Senador Paulo Paim)  aprovado por unanimidade pelo Senado em novembro de 2005  e apenas aguardando  votação final em regime de urgência na Câmara dos Deputados  e que Institui o Estatuto da Igualdade Racial.

 

Em contato com lideranças do movimento indígena e em consulta sobre o posicionamento em relação aos descendentes Indígenas (não aldeados ou miscigenados), foi recebida a informação de não anuência com a "auto-determinação mestiça" pois a mesma  fere o Artigo 210 da convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário.

Outros posicionamentos indicam visão no mesmo sentido:

"Ora, o neto do branco é branco, o neto do negro é negro, mas o neto do índio é apenas “descendente”. As outras raças se reproduzem, se perpetuam, mas a nossa raça indígena degenera e logo desaparece. Destino ingrato que querem nos impor."

RAÇA

A primeira classificação dos homens em raças foi a “Nouvelle division de la terre par les différents espèces ou races qui l'habitent” ("Nova divisão da terra pelas diferentes espécies ou raças que a habitam") de François Bernier, publicada em 1684.

Carolus Linnaeus (1758) inventor da taxonomia e criador da classificação Homo Sapiens, reconheceu quatro variedades do homem (e ainda  atribuiu a cada uma delas características morais) - Americano (Homo sapiens americanus: vermelho, mau temperamento, subjugável), Europeu (Homo sapiens europaeus : branco, sério, forte), Asiatico (Homo sapiens asiaticus: Amarelo, melancólico, ganancioso), e Africano (Homo sapiens afer : preto, impassivel, preguiçoso). Linnaeus reconheceu também uma quinta raça não-geográficamente definida , a Monstruosa (Homo sapiens monstrosus), compreendida por uma diversidade de tipos reais (por exemplo, Patagônios da America do Sul, Flatheads canadenses) e outros imaginados que não caberiam em nenhuma das quatro categorias "normais" (segundo a visão supremacista/racista de Linnaeus que não apenas criou a classificação como atribuiu a cada uma características físicas e morais, o individuos miscigenados poderiam talvez ser então classificados nesta última categoria, porém é pouco provável que quisessem se encaixar em tal absurdo, do qual aliás não se tem qualquer referência da presença de tal raça "monstruosa" no Brasil ) .

O sucessor de Linnaeus', J. F. Blumenbach, primeiramente em 1775 reconheceu "quatro variedades da humanidade:" 1) Europa, Ásia ocidental, e parte de America do Norte; 2) Ásia do leste e Austrália; 3) África; e 4) o resto do novo mundo. A visão de Blumenbach continuou a evoluir, em 1795 dando origem a cinco variedades, Caucasiano, Mongol, Etíope, Americano, e Malaio, diferindo do agrupamento anterior onde os esquimós passaram a ser classificados com os Asiaticos do leste.

Neste sentido, as coisas ficaram estáticas até 1962, o ano em Carleton Coon publicou "A origem das raças". Lá Coon, um antropólogo físico, dividiu a humanidade em cinco raças (ou subspecies): Caucasoide, Mongoloide, Australoide, Congoide (Negroide), e Capoide(Africa Meridional até filipinas).

Segundo Dobzhansky (1970), esta visão conduziu à absurdos como quando os siblings (pessoas com síndrome de Down) foram categorizados em tipo racial (mongolóide) diferentes de ambos seus pais . De uma perspectiva social, este problema (indivíduos surgidos da mistura de raças) foi resolvido tipicamente empregando o conceito de Marvin Harris, a hipodescendência, isto é, a criança nascida de tal união pertence a raça biológica ou socialmente inferior:  "o cruzamento entre um branco e um indio é um indio; o cruzamento entre um branco e um negro é um negro; o cruzamento entre um branco e um hindu é um hindu; e o cruzamento entre alguém de raça européia e um judeu é um judeu." (Grant, The Passing of the Great Race, 1916). Em alguns países, uma regra de 1/8 ou 1/16 (também conhecida como  "one drop rule" (regra da uma gota de sangue) )  foi estabelecida a fim determinar a identidade racial apropriada de indivíduos oriundos de mistura de raças. Sob estas regras, se o indivíduo for, pelas linhas da descendência, 1/8 ou somente 1/16 descendente de negro (preto uniforme), o indivíduo é também negro ( idem para Indígenas ).


Exemplo de árvore genealógica de quatro gerações, no topo os oito bisavós, se qualquer um dos 14 ascendentes diretos for negro a pessoa é considerada negra pela regra do 1/8.  

*Esta regra da hipodescendência assim como todas os outros conceitos advindos da teorias racialistas   foi empregada pela elite euro-descendente ao longo de toda a história do Brasil, como forma de "isolar" e colocar os miscigenados "no seu devido lugar" junto com sua "gente preta", o que efetivamente aconteceu e é de fato uma realidade, temos portanto pretos e pardos afrodescendentes ancestralidade geográfica comum (África), pelos conceitos racialistas somos do mesmo grupo racial, fomos e somos vistos pela sociedade como um mesmo povo e sofremos a mesma discriminação (guardadas as devidas proporções devido à característica de racismo de marca praticado no Brasil), partilhamos a mesma cultura ancestral e a mesma história, o que configura pelos conceitos antropológicos um mesmo grupo/identidade racial e não  identidades distintas (comprovado pelas modernas técnicas da Genética de populações) .

O  conceito de diversas raças biológicas entre humanos foi completa e definitivamente eliminado pelo PROJETO GENOMA em 1998 (ver reportagem da época com o cientista norte-americano Alan Templeton, responsável pelas pesquisas :  Somos todos um só  (reportagem da revista ISTO É disponibilizada no site do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG... http://www.icb.ufmg.br/~lbem/aulas/grad/evol/humevol/templeton/ ), hoje todo ser humano é comprovadamante  um homo sapiens sapiens, ou seja pertencem todos a uma mesma espécie/raça.

 

ETNIA

Uma etnia ou grupo étnico é em um sentido amplo uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas, culturais e genéticas. Estas comunidades comumente reclamam para sí uma estrutura social, política e um território. Etnia se usa a vêzes erroneamente como um eufemismo para raça, ou como um sinônimo para grupo minoritário.

Raça é um conceito que tem sido associado ao de etnia. Porém etnia compreende os fatores culturais (nacionalidade, afiliacão tribal, religiosa,língua ou tradições) e biológicos de um grupo humano, raça específicamente alude aos fatores morfológicos distintivos desses grupos humanos (cor de pele, compleição física, estatura, traço faciais, etc.) desenvolvidos em seu processo de adaptacão a determinado espaço geográfico e ecossistema (clima, altitude, flora, fauna, etc.) ao largo de várias gerações.

Históricamente, a palavra "etnia" significa "gentio", proveniente do adjetivo grego "ethnikos." O adjetivo se deriva do substantivo ethnos, que significa gente ou nacão estrangeira. O sustantivo deixou de estar relacionado com “Pagão” em princípios do sec. XVIII. O uso do moderno sentido da palavra começou na metade do sec. XX.

A Língua

A língua tem sido utilizada como primero fator classificador dos grupos étnicos, sem dúvida esta ferramenta não tem estado isenta de manipulacão política ou erro. Se deve assinalar que existe grande número de línguas multi-étnicas e determinadas etnias são multi-língues

A Cultura

A delimitacão cultural de um grupo étnico com respeito aos grupos culturais de fronteira, se faz dificultosa para o etnólogo em especial no tocante a grupos humanos altamente comunicados com grupos vizinhos. Elie Kedourie é talvez o autor que mais tenha aprofundado a análise das diferenças entre etnias e culturas . Geralmente se percebe que os grupos étnicos compartilham uma origem comum, e exibem uma continuidade no tempo, apresentam uma nocão de história em comum e projetam um futuro como povo. Isto se alcança através da transmissão de geração em geração de uma linguagem comum, intituições, valores e algumas tradicões. Se bem que em determinadas culturas se mesclam os fatores étnicos e os políticos, não é imprescindível que um grupo étnico conte com instituições próprias de governo para ser considerada como tal. A soberania portanto não é definidora da etnia, mas se admite a necessidade de uma certa projeção social comum.

A Genética

É importante considerar a genética dos grupos étnicos se devemos distingui-los de um grupo de individuos que compartilham únicamente características culturais. As etnias geralmente se remetem a mitos de fundacão que revelam uma nocão de parentesco mais ou menos remoto entre seus membros. A genética atual tende a verificar a existencia dessa relacão genética, porém as provas estão sujeitas a discussão,  refrência é  Lucca Cavalli-Sforza.

Grupos étnicos

Os membros de grupos étnicos costumam conceber a sua identidade como algo que está fora da história do estado-nação – quer como alternativa histórica, quer em termos não-históricos, quer em termos de uma ligação a outro estado-nação. Esta identidade expressa-se muitas vezes através de "tradições" variadas que, embora sejam frequentemente invenções recentes, apelam a uma certa noção de passado.

 

O real significado do termo "Pardo"

Ao contrário do que muitos  pensam, o termo censitário "pardo"  não surgiu com o sentido de "miscigenado" (o que veremos mais abaixo),
mas para os que entendem que a "miscigenação" criou uma "raça diferente", cabe esclarecer que: com  relação aos indivíduos surgidos da "pseudo mistura de raças" ( pseudo pois como visto na subseção anterior, raças não existem de fato, portanto "mistura" de coisas inexistentes é uma impossibilidade lógica), do ponto vista social a situação sempre foi histórica e tipicamente resolvida empregando a hipodescendência (também  conhecida como conceito de Marvin Harris), isto é, a criança gerada a partir de uniões interraciais pertenceria a raça ou etnia considerada biológica ou socialmente inferior, portanto nunca houve na prática do ponto de vista racialista nem na construção social brasileira, "raças intermediárias" (mestiços), a consequência e prova principal de tal fato é que tanto os pretos (pessoas com fenótipo típico africano) quanto os miscigenados, foram histórica e igualmente escravizados e discriminados, por serem considerados (e serem de fato como vimos anteriormente) indistintamente "negros" (afro-descendentes), desde sempre e hoje os indicadores sociais de pretos e dos ditos "pardos", são muito mais próximos e se agrupam de forma distanciada do grupo branco, histórica e socialmente tido como "superior", fato que por si só já justificaria o agrupamento de pertencimento e político de pretos e pardos em uma "população característica e unificada".

O Governo brasileiro através do IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) considera oficialmente para fins estatísticos e de políticas públicas afirmativas a seguinte classificação de cor/raça (utilizada no censo) :  branco, preto, pardo, amarelo e indígena, sendo que oficialmente a população negra é a soma dos auto-declarados pretos e pardos , agora o ponto importante, ao contrário do que muitos pensam, o termo pardo não foi criado censitariamente como uma categoria de cunho "étnico-racial" distinto ou como sinônimo de miscigenado,  o termo passou a ser utilizado no censo do ano de 1872, com o intuito único de contabilizar de forma separada os negros (não importando se pretos ou miscigenados) ainda cativos, e os negros (não importando se pretos ou miscigenados) nascidos livres ou forros, vide :

 

ou ainda

        • [..] Era a partir da separação entre homens livres e escravos que o perfil daquela sociedade recebia seus contornos mais nítidos e se projetava no censo de 1872.
                                                                                                                                           (Petrucelli apud Oliveira, 2004, p.3, grifo nosso).

Com o fim da escravidão o termo perdeu seu sentido censitário original, mas continuou a ser utilizado como categoria "residual" para acomodar as respostas que não se enquadravam  nas categorias previstas, o termo pardo foi utilizado em 7 dos 11 censos realizados (a exceção do de 1890 único que utilizou o termo "mestiço"e dos censos de 1900, 1920 e 1970 que excluíram o quesito cor), só a partir de 1950 é que com a auto-declaração o termo passou a constar definitivamente das opções censitárias, mas com o vínculo de origem africana da proposta original, dai o fato do IBGE acertadamente manter até hoje a mesma classificação que reflete de forma relativamente precisa a situação ëtnico-racial de mais de  92% da população nacional (alguma imprecisão pode ocorrer entre os menos de 8% da população brasileira que habita o norte do país, aonde apesar da ostensiva e expressiva origem indígena e do mito da não-presença negra  persistir, a realidade e os trabalhos dos pesquisadores evidenciam também uma significativa e histórica presença de afro-descendentes, inclusive com dezenas de remanescentes de quilombos já identificados). vide:

"Em artigo recente sobre a presença negra na Amazônia de meados do XIX, Luís Balkar Pinheiro aponta para as limitações de abordagem encontradas na produção historiográfica e conclui que um de seus principais desdobramentos é o fato de que “o ocultamento da presença negra na Amazônia continua efetivo, mantendo incólume uma das mais graves distorções na escrita da história da região." (SAMPAIO,1999,s/p).

Alguns defensores brasileiros de uma pretensa "identidade étnico-racial mista" oficial, dissociada da alocação compulsória a uma das identidades básicas, alegam falaciosamente que agora nos Estados Unidos  o censo permite se identificar como "mestiço", o que é uma inverdade, o que o censo de lá permite é marcar mais de uma opção como identidade étnico-racial, ou seja, não admite um "grupo independente" composto por indivíduos miscigenados a partir das mais variadas combinações e que portanto não configuram nem um grupo racial nem étnico, a multi-identificação norte-americana tem na prática apenas dois resultados:
1- Permitir que em uma sociedade onde há uma tradicional tensão social e preocupação a partir da identidade étnico-racial, os miscigenados (que em geral tem problemas para psicológica e socialmente se enquadrarem em uma ou outra categoria), possam expressar sua indefinição identitária de forma explícita, aliviando a pressão de um posicionamento político.
2- Permitir que para fins de informação estatística e sociológica, seja melhor observado o recente e crescente fenômeno da miscigenação na população norte-americana, tradicionalmente estanque e pouco permeável.

Na prática a multi-classificação norte-americana é como "anular o voto" ou se abster de votar, formando assim um grupo "residual" de posicionamento político com relação à identidade étnico-racial, no Brasil tal situação foi tradicionalmente resolvida com a categoria "pardo" que apesar de majoritariamente abrigar óbvios afro-descendentes, também abriga as situações de "indefinição política".

Acerta pois o IBGE ao adotar o mesmo entendimento mundial sobre população negra, como conceito já visto acima (com quem concordam os cientistas sociais e o movimento negro), ao considerar pretos e pardos como integrantes da mesma população (negra ou afro-descendente), o que aliás combina perfeitamente com a nova orientação da genética de populações no pós-projeto genoma (portanto com o aval inclusive dos geneticistas), de que os indivíduos não pertencem a "raças", mas sim a grupos de ORIGEM ANCESTRAL GEOGRÁFICA, a qual pode ser AFRICANA, EUROPÉIA OU ASIÁTICA (indígenas são ancestralmente asiáticos), descartadas origens "mescladas ou intermediárias"; o método utilizado para definir a real ancestralidade do indivíduo é o de mTDNA (DNA mitocondrial) por matrilinhagem (linhagem das mães), o mTDNA não se mistura nem se modifica por"miscigenação", e é passado de mãe em mãe através das gerações, ou seja, por este método não há indivíduos "mestiços", cada indivíduo possui uma identidade ancestral indelével e inequívoca dentro das três já citadas. Cabe lembrar que o foco biologizante (salvo em algumas questões de saúde pública), não deve ser levado em consideração com relação a questões políticas étnico-raciais (já que não há "raças" do ponto de vista biológico), "raça" é uma construção social, devendo ser tratada prioritariamente sob este enfoque (o das Ciências Sociais) e não pelo genético.

 

CONCLUSÃO

Diante de todo o exposto verifica-se claramente  que  a  "IDENTIDADE MESTIÇA" é um equívoco pois :

NÃO É GRUPO RACIAL

Dentro da construção social das raças fica patente a inexistência de "raça mestiça" ou "identidade racial mestiça", acrescido do conceito de "one drop" que contraria tal aspiração..., logo mestiço não pode ser uma identidade racial (até porque raças na realidade não existem), além do mais conforme explica bem o dicionário, mestiço é o indivíduo originado da mistura de "raças", não uma "identidade racial autônoma" (mesmo enquanto construção social) .

NÃO É GRUPO ÉTNICO

Fica extremanente claro a incongruência em tentar definir "Mestiço" como um grupo étnico distinto (já que não preenche as exigências da definição de grupo étnico), tal ação seria equivalente a definir uma torcida de time de futebol  ou os membros de uma grande empresa como um grupo étnico independente (se bem que já se vê algo como "Raça Rubro-Negra" por ai... ), outro exemplo seria considerar a gasolina com adição de alcool outro produto, ou seria tão inconsistente como declarar os  "gaúchos" como um grupo étnico, quando na realidade apenas fazem parte de uma "cultura de fronteira" existente em três países e com integrantes de variadas "raças" (uma "raça" pode ter várias etnias, uma etnia não é composta de várias "raças") .

POR ANALOGIA

Defender uma "identidade étnico-racial  mestiça" é  exatamente o mesmo que defender um  "terceiro sexo oficial" para a identidade sexual dos Homossexuais... (lembrando que existe grande diferença entre identidade sexual e orientação sexual), o DNA mitocondrial define qual a origem populacional do  indivíduo, basicamente as possibilidades "batem" com as antigas "classificações geográficas/raciais" (que nisso não estavam tão erradas)  que seria  africano, europeu, asiatico e americano (que na realidade seria uma "variação" do asiático") as outras "classificações" que vieram depois seriam  apenas pequenas variações desta estrutura "geográfica original".

Ou seja, todo mundo é uma "coisa ou outra" genéticamente falando , ou se é "africano" ou "europeu", etc.., ou se é homem ou mulher ...,  ninguém é na realidade "meio negro" ou "meio branco" (apesar de se poder definir os percentuais de contribuição genética no individuo miscigenado) da mesma forma que não se pode ser "meio homem" ou "meio mulher" (mesmo os hermafroditas são tecnicamente ou homem ou mulher, lembrar da Judoca da seleção olímpica brasileira que precisou fazer teste genético para poder competir  como mulher) , não existem na realidade "mestiços raciais" (até porque não existem de fato "raças") assim como não existem "mestiços sexuais" ....

Muitas pessoas iriam contra-argumentar que grande parte do povo brasileiro "não se sente", negra,  indígena ou branca, se sentindo "outra coisa"...,  ou mesmo que, a mais de uma centena de cores e auto-classificações "não-oficiais" utilizadas para tentar "escapar" do estigma de ser negro ou índio, seriam uma prova de que o brasileiro quer mesmo é esta "pseudo-identidade etnico-racial mista",  eu diria que : O fato de muitas pessoas serem ignorantes no assunto, não justifica ação errada por parte de quem não é..., este é um trabalho de Educação que precisa ser feito, e é porisso que o movimento negro é conhecido também por MOVIMENTO DE CONSCIÊNCIA NEGRA...., uma situação similar seria o fato da maioria dos norte-americanos achar que a capital do Brasil é Buenos Aires e que samba e rumba são a mesma coisa... , a "opinião" deles não faz disso uma  realidade (e não podemos adaptá-la para agradar a ignorância deles) o único caminho é a EDUCAÇÃO.

Com a queda do conceito biológico de diferentes raças entre humanos,  ficou apenas a construção social  que necessita ser desconstruida, porém não totalmente antes de corrigir as desigualdades sociais geradas a partir das equivocadas teorias racialistas,  não há espaço para novas construções identitárias quando estas já se provaram equivocadas e se caminha no sentido de desconstrução das diferenças “raciais”

A genética não é nem deve ser utilizada como base da discussão ( já que o foco deve ser sócio-antropológico), mas pode ser utilizada para desfazer a "ilusão da brancura brasileira" (a qual a mídia brasileira tenta impor internamente e ao mundo) e o consequente supremacismo e racismo latente de muitos brasileiros que assim se consideram;  seguindo os dados do Censo de 2000 e aplicando por extrapolação os resultados de pesquisas feitas utilizando dois métodos distintos de definição de origem geográfica ancestral (não confundir com o conceito de diferentes raças "biológicas" entre humanos que hoje é sabido que é falso, raças não existem... existe apenas origens populacionais geográficas distintas e a "construção social"  que ficou  dos tais conceitos equivocados de "raça") : 

 146 milhões ( 87% dos brasileiros) , tem pelo menos 10% de ascendência africana ...

 89  milhões de brasileiros (52% da população) são por matrilinhagem (mitocondrial) inequívocamente afro-descendentes

 77  milhões  (46 % dos brasileiros)  tem mais de 90% de ancestralidade africana....

 28  milhões de brasileiros que se declararam brancos, são por matrilinhagem inequívocamente afro-descendentes...

 80% dos autodeclarados negros (pretos + pardos) tem pelo menos 90% de ancestralidade africana

Ver o o trabalho completo em :Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas? em : http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142004000100004&script=sci_arttext

Mas como dito antes a questão não é genética , é sim principalmente de MARCA (aparência) e cultural, são negros para todos os efeitos práticos e de discriminação, todos os que não são socialmente vistos como brancos ou orientais ou indígenas...

No Brasil não existe oficialmente a classificação "mestiço" (assim como não existe a de "moreno") , segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o brasileiro pode se auto-classificar como preto, pardo, amarelo(oriental), branco ou indígena, sendo que a soma de pretos e pardos compõem a população negra (Afrodescendente) pois os pardos de origem indígena abaixo de  4 gerações fora da  região norte são estatísticamente desprezíveis, exceção a resolver é com relação à situação do norte do país onde há significativamente pardos de origem indígena e de miscigenação recente (ou simplesmente "destribalização" )  que na realidade deveriam ser classificados como indígenas e não pardos..., já existe movimentação dos movimentos indígenas neste sentido, há que se lembrar porém que a população de toda região norte não atinge 8% da população brasileira, destes 25% são "brancos" e 25% afrodescendentes (pretos + pardos afro),  a se utilizar a correta aplicação do conceito de indígena como raça (incluindo os descendentes miscigenados) e não apenas considerando os índios "étnicos" (que sabem exatamente a qual etnia pertencem e assim se denominam)  a população do norte seria então 50% de origem indígena (não remota) o que aumentaria o peso indígena na população do Brasil  de 0,2 % para pelo menos  4% (o mesmo nível do primeiro censo da república em 1890), ou até mais se adotados outros critérios.

A questão tema do artigo parece bem respondida.

Fonte: Informações de domínio público e artigos disponibinizados na web com link de referência direta.

WEBGRAFIA

PETRUCCELLI, J.L.; IBGE. Classificação Étnico-Racial brasileira: onde estamos e para onde vamos, reaa/AASN, Rio de Janeiro, n. 1, 2006. Disponível em: < http://aasn.iuperj.br/txt-discussao/1-2006-petruccelli.pdf >. Acesso em: 13  Mar  2007.

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